O nome do estádio candango calhou. O bezerro mamou ontem no amistoso entre Brasil e Portugal. Eu sempre defendi, não sei se é muito pedir isso, que a seleção brasileira jogasse aqui, para os seus conterrâneos. Mas não dessa forma, cobrando R$ 180,00 por uma arquibancada ou R$ 200,00 de deficientes físicos. Talvez para compensar os 7.360 ingressos doados às autoridades, agora, vendidas para o projeto Copa-14. A renda, de R$ 1.392,380,00, talvez tenha sido suficiente. Ou não.
O roubo começou antes. O alimentado Bezerrão, orçado inicialmente em R$ 30 milhões, custou R$ 56 milhões aos cofres de Brasília, e servirá, se muito, para aquele período de treinamentos, durante a concentração para a Copa, dado a acanhada capacidade de 20 mil pessoas. Um projeto à Engenhão. Tudo ão. De cifrão. De ladrão.
O custo do jogo ultrapassou os R$ 10 milhões, ou quase um quarto de todo o orçamento para 2008 da Secretaria de Esporte do Distrito Federal. Ou o suficiente para bancar pelo menos cinco edições da Copa Brasil, o único torneio nacional de futebol feminino.
A ISE, empresa árabe que tem os direitos sobre os amistosos da seleção, recebeu cerca de R$ 4,5 milhões que o time brasileiro terá direito pelo jogo, mesmo valor que o Governo do Distrito Federal pagou à seleção lusitana.
Ao contrário de Robin Hood, por aqui, estão tirando dos fracos, pobres e escorraçados, para dar aos ricos, fortes e satíricos. E sem remorsos, como notamos na declaração do secretário de Esportes de Brasília, Pastor Agnaldo de Jesus : ”Quem você acha que vai se lembrar do governador, a autoridade ou o torcedor?”, perguntou. De santo só o nome.
