Segura a fera

“Humildade e coragem são nossas armas pra lutar”

Posts de Novembro 18th, 2008

Três Poderes em um

Publicado por Nelson Próspero em Novembro 18, 2008

“Acho que, em todo o País, as recentes eleições municipais evidenciaram, de forma clara e até contundente, a diferença entre municípios e metrópoles. A adoção da escala metropolitana de governo vem sendo de grande vantagem nos países mais adiantados. É só dar um giro pelo planeta para ver esse fato, que salta aos olhos. Paris, Londres, Frankfurt, Berlim, Tóquio, Pequim, Los Angeles, San Francisco, Nova York, Chicago e Boston, só para citar alguns exemplos, são áreas extremamente populosas, orientadas por um poder público que busca harmonizá-las, não esfarinhando recursos nem desperdiçando serviços e impostos.

Dos quase 6 mil municípios do País, mais da metade já deixaram para trás as suas características municipais. Eles são, agora, prósperas e agradáveis áreas urbanas integradas inexoravelmente à metrópole vizinha. Já deixaram a sua condição de município.

Por outro lado, da outra metade dos que sobram, menos de um terço atinge condições realmente municipais. Não saíram ainda da escala distrital. Só por artimanhas politiqueiras foram alçados à categoria de municípios. Sem arrecadação suficiente de impostos, eles vivem de ardilosas transferências constitucionais e usam os serviços públicos de municípios vizinhos mais poderosos.

Esse drama da divisão do Brasil é, em grande parte, o responsável pela ineficiência dos serviços públicos das chamadas grandes cidades , obrigadas a atender às deficiências de seus vizinhos, numa política puramente clientelista. A eleição que vem de ser realizada em todo o País trouxe à luz esse retrato torto dos falsos municípios e da exausta área metropolitana.

Ficou evidente que para ganhar em qualquer deles dois fatores foram decisivos: ou o candidato disputava a reeleição, após excelente desempenho, ou exibia as promessas de apoio do governador e do presidente da República…. Vale, pois, a pergunta: por que a influência estadual e federal pesa tanto? Porque a jurisdição do prefeito do município-núcleo, na área metropolitana, é sempre bem menor do que os problemas que ele tem de enfrentar. Ele não pode invadir a autonomia do município vizinho nem pode atuar como poder estadual ou federal. É quase um beco sem saída.

Na questão da segurança pública, por exemplo, temos o mais típico desafio para os prefeitos. Principalmente nas áreas metropolitanas. Primeiro, porque até hoje ninguém teve a coragem de retirar do texto constitucional aquela colossal asneira de considerar “exclusividade da Polícia Militar o policiamento ostensivo”. Prefeito algum tem a menor condição de sair por aí garantindo que vai dar jeito na insegurança que reina nas metrópoles, a não ser que o governador ajude e o presidente não atrapalhe.

A grande lição destas eleições municipais é que está na hora de implantar, de fato, a escala metropolitana de administração, prevista há 20 anos na Carta Magna. Nas urnas das pequenas e médias cidades, o povo aprovou os bons administradores. Mas, nas três mais importantes áreas metropolitanas do País, o povo deu um recado claro e sério: a ajuda e o apoio dos governos estaduais e federal é essencial. Sem eles essas metrópoles vão ser, cada vez mais, focos de desordem urbana, insegurança, desconforto e ausência de bons serviços públicos. Aliás, já são.”

Trechos da coluna de Sandra Cavalcanti no Estadão

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Frase do dia

Publicado por Nelson Próspero em Novembro 18, 2008

“A máfia corintiana pode ser pior que a russa”

Marlene Matheus, em entrevista ao Estadão

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Descaso consentido

Publicado por Nelson Próspero em Novembro 18, 2008

Semana passada o Estadão publicou matéria com Marlene Matheus, que atualmente ocupa o cargo de diretora social do Corinthians. Diante das raposas que habitam a Fazendinha, percebe-se que Marlene se sente acuada, cujo cargo é apenas figurativo. Os capachos de Andrés Sanches mandam e desmandam em todos os setores. Mas o descaso à que me refiro no título não é relativo à presidente do Corinthians. Também.

Na matéria, foram citados as condições da praça Vicente Matheus, na Zona Leste, e do Cemitério Quarta Parada, onde está o túmulo do ex-marido, também na Zona Leste. Tudo abandonado, ao léu, habitat de bandidos. 

Marlene disse que desisitiu de reformar e de visitar a sepultura : “Roubam tudo lá. No começo, coloquei vasos de bronze e um busto também de bronze, mas levaram. Depois, mandei fazer de ferro, e levaram também. Já reformei quatro vezes, mas não tem jeito. Uma vez fui assaltada em pleno período da tarde. Fui orientada pela administração do cemitério a não ir mais sozinha lá. O que muita gente não sabe é que aquele túmulo é da minha família. Ali estão meus pais e meus avós. Levaram todas as placas com os nomes das pessoas que estão lá”.

Agora vejam a explicação do assessor do gabinete da Superintendência do Serviço Funerário Municipal, Manoel Carlos Ferreira Júnior : ”Matheus é uma figura pública, as pessoas levam qualquer peça com o nome dele, querem uma lembrança. E ela também é uma figura pública. Não deveria se expor sozinha em lugar nenhum”. Que absurdo. Incompetente, ignorante. O roubo não é mais considerado crime, talvez até ele tenha levado uma placa. Cara, quanta ironia. Isso mata por dentro. Imaginem a Marlene escutando isso…

Já na praça, inaugurada em 1998, ao lado do viaduto Bresser, a situação não é diferente. O banditismo não dá vez. O local tinha um símbolo imenso do Corinthians ao centro e dos demais clubes paulistas na lateral. Todos foram destruídos e as plantas arrancadas. Marlene gastou R$ 150 mil do próprio bolso para fazer todo o projeto e cuidar da jardinagem, desta vez colocando plantas mais baratas, mas nem assim o problema foi resolvido. Arrancaram tudo novamente, pela raiz.

Chateada com a situação, ela desistiu de cuidar da praça. “Cheguei a pedir para a prefeitura cercar a área central que eu mesma cuidaria da jardinagem. Como nunca fizeram nada, acabei abandonando. A última vez em que passei pelo local vi que havia até moradores de rua vivendo por lá.”

São retratos do abandono, da falta de segurança, da falta de respeito e de educação de um povo que está retrocedendo, ou apenas seguindo o exemplo de seus “superiores”.

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